Velhas Casas de Florianópolis

Desta vez foi na Rua Henrique Valgas 290, mas a lista à espera de “tombamento” é grande. O argumento é sempre o mesmo: risco de cair e invasão. Em Florianópolis proprietário de casa velha faz novena pedindo que ela seja invadida por usuários de drogas.

A lei estabelece multa e detenção, nas redes sociais as sugestões são: pesadas multas, prisão e proibição de edificar no terreno por, no mínimo, vinte anos. Verificar as construtoras que ocuparam os endereços sinistrados pode ajudar a compreender a “dinâmica” dessa prática.

Mas, sejamos justos, também é preciso apoio efetivo para que essas pessoas mantenham o seu patrimônio em pé. Eu me pergunto quantos dos ferrenhos defensores da preservação do patrimônio, e entre eles me incluo, mudariam de opinião se estivessem no “outro lado do balcão”.

Em geral, essas casas ocupam terrenos valiosíssimos e há quem ofereça uma fortuna por eles. É ilusório, e injusto, desejar que o proprietário zele sozinho por um patrimônio que, ao final, é de todos nós! A Cidade tem que ajudar nessa preservação.

Descontinho no IPTU é piada diante do a$$édio das construtoras. Aliás, em Florianópolis dono de imóvel tombado tem alguma compensação? É preciso que haja uma campanha de conscientização sobre o verdadeiro valor desses imóveis e que se ofereça consultoria técnica de conservação e restauro, incentivo e compensação financeira para os seus donos.

Eu aceitaria de bom grado pagar um percentual sobre o IPTU para a conservação e restauração de casas tombadas cadastradas e como compensação para os proprietários. Como se faz em alguns países para que os agricultores preservem as florestas e as nascentes dos rios situadas em suas propriedades.

Quem sabe cessariam os providenciais “tombamentos” e os misteriosos incêndios das velhas casas na Grande Florianópolis. É o que penso. É o que proponho.

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Por Norma Bruno

Natural de Florianópolis/SC. É graduada em História, pesquisadora, cronista e escritora, autora dos livros A Minha Aldeia e Cenas Urbanas e outras nem tanto. Colecionadora de rendas de bilro e revistas antigas. Filha do radialista e técnico em eletrônica Lourival Bruno, gosta de ouvir rádio desde pequeninha.
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