Vem de berço

Muitas pessoas têm o hábito de dizer: “Quando chegamos ao mundo…”, como referência ao dia de nossa primeira mudança de lar – do útero de nossa mãe ao mundo aberto a nós.

Aberto aos poucos e ao mesmo tempo incrivelmente preparado: Oxigênio, sol, lua, alimentos e muitas outras surpresas reservadas nos anos à frente. A percepção da visão, audição, olfato, tato, paladar, ah, o paladar, que maravilhosa benção. Os pais também fazem seu papel; tudo bem, nem todos, mas muitos ainda fazem. Meses antes de nascermos preparam roupas, brinquedos, escolhem nosso nome e claro, o berço.

Do berço saímos para o aconchegante colo da mãe, do pai, avós, tios, amigos da família e um dia sairemos para a vida, mais do que nossos passos, nossas escolhas e talvez o preparar o berço para alguém. Cabe aqui uma dica, a música – O filho que eu quero ter – Na voz de Toquinho, composição sua e de Vinícius de Moraes. Duvido um pai ouvir e não chorar. Um poema, uma história, em uma canção de 3 minutos e meio.

Do berço, dito de forma metafórica e ao mesmo tempo literal, vem duas das mais belas, encantadoras e apaixonantes qualidades – a educação e a virtude. Irmãs que podem desenvolver-se juntas, porém, não tão vistas hoje em dia. Educação, que vem de berço e não da escola, é gentileza, delicadeza, amabilidade, cortesia etc. Só coisas boas. Virtude, o que expressa boa conduta, a boa moral, a ética etc. Por onde elas andam?

Nos últimos dias do mês de dezembro costuma ocorrer algo que não me agrada, aliás, várias coisas, mas uma delas são as felicitações: “Feliz isso, feliz aquilo, paz, prosperidade, amor no coração e mais isso e mais aquilo. Só deveriam dizer coisas desse tipo pessoas que praticassem coisas desse tipo. Por exemplo: Os que devolvem o carrinho de supermercado ao lugar apropriado e não deixam no meio dos estacionamentos dos supermercados, dos que têm paciência com atendentes do comércio, dos funcionários públicos e do comércio que respeitam aos que atendem, os que respeitam os pais, os que respeitam os filhos, os que respeitam a polícia, os que respeitam os professores, os pais que comparecem à escola dos filhos com frequência para dar o devido apoio, dos que não metem a mão na buzina quando o motorista da frente demora 5 segundos para se mover, dos que ultrapassam a velocidade permitida, dos que bebem e em seguida dirigem, dos que não fazem “gato” em casa, dos que não jogam o resto do cigarro no chão, nem dos jogam papel de bala nas ruas, daqueles que saem com seu cachorro para passear e deixam a rua suja, daqueles que não dizem: bom dia, boa tarde, boa noite, muito obrigado, por gentileza. Creio que das duas, uma: Ou quase ninguém mais daria felicitações da boca pra fora, ou teríamos mais pessoas que trouxeram do berço essas duas maravilhas – a educação e a virtude.

Diz o velho ditado: “É de pequenino que se torce o pepino”. Diz o livro Sagrado: “Eduque a criança no caminho em que ela deve andar; mesmo quando ela envelhecer não se desviará dele”. Provérbios 22:6.

Uma nova geração está aí. Inteligentes e criativos. Muito aptos ao uso das redes sociais, mas com que objetivo? Há muitos jovens bem educados; carregam desde o berço o melhor que os pais ou responsáveis lhes ensinaram. Se do nosso berço nos acompanham a educação e a virtude podemos desejar tudo de bom o ano inteiro, só é desagradável a ideia de ouvir felicitações uma vez no ano e de quem não trouxe nada de bom do maravilhoso berço.

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