Vencedores do Prêmio Reportagem do Carnaval de 1970

No ano de 1970, os radialistas Moacir Pereira e Fernando Linhares fazem parte da equipe da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis (RDM) para cobertura do carnaval.  O comando geral é do jornalista Adolfo Zigelli que faz um minucioso planejamento da transmissão da festa no intuito de superar a concorrente, a Rádio Guarujá.

No domingo, dia dos desfiles das escolas de samba e das grandes sociedades, com seus carros alegóricos e de mutação, a cidade parece que vem abaixo. Chove e muito. O Prefeito Acácio Santiago diz através dos microfones da RDM que a programação oficial da cidade está cancelada.

Surge uma pergunta pela calva cabeça de Adolfo Zigelli: como manter uma programação carnavalesca até a meia noite, uma vez que a emissora já havia se comprometido com vários anunciantes?  O coordenador da folia pede criatividade à sua equipe. Para os repórteres Moacir Pereira e Fernando Linhares da Silva cabe a função de cobrir o carnaval de rua, concentrado na Praça XV de Novembro, com os blocos de sujos;  e na Avenida Mauro Ramos, onde naquele ano haveria pela primeira ( e também a última) os desfiles das entidades carnavalescas organizadas. O conselho é direto: – visitem bares, circulem pela Praça XV, falem com gente, criem, virem-se!

A seqüência da história é narrada por Moacir Pereira, que relatou o episódio no livro dele intitulado “Adolfo Zigelli: jornalismo de vanguarda”.

-Assumi a direção do meu fusca 1967, Fernando Linhares ao lado com o velho e pesado gravador de rolos, microfone em punho. Entramos no carro e ligamos o gravador. Descrevíamos tudo o que víamos. Até o espaço vazio era objeto de relatório e comentário. Ouvimos guardas de trânsito encharcados sobre o fraco movimento, entrevistamos foliões perdidos, alguns alcoolizados sob as marquises dos edifícios centrais, colocamos o microfone mais próximo do motor para indicar aumento da velocidade, garantia de que não haveria falhas no distribuidor. Tudo com descrição minuciosa dos repórteres sobre o que viam na cidade: iluminação, estragos na decoração, trânsito liberado, bueiros entupidos etc. Na entrada da Mauro Ramos, Fernando Linhares colocou o microfone para fora do carro, registrando o forte ruído da água espalhada pela passagem. Ato contínuo, fizemos parar uma ambulância que se dirigia ao Hospital de Caridade. No retorno, entramos no Bar do Filinto, ponto de reunião da boemia e dos foliões, bem ao lado da sede da emissora, onde gravamos uma longa conversa com o Rei Momo, encerrando a reportagem.

Na chegada a emissora, os repórteres entregam o material ao chefe, que atentamente escuta o que foi colhido. Sem cortes, tudo o que foi feito por Moacir Pereira e Fernando Linhares vai ao ar. Adolfo Zigelli os parabeniza e os proclama vencedores do prêmio de reportagem do carnaval.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *