Vende-se Esta Propiedade

(baseado em fato real*)

VENDE-SE ESTA PROPIEDADE dizia a tabuleta em grafia peculiar. O forasteiro, arrebatado por tanta beleza, bateu palmas no portão já antevendo a possibilidade de um excelente negócio comprando direto de um manezinho. O nativo espiou da janela afastando a cortina colorida e, sem nem perguntar do que se tratava, gritou: – Vamu entranu, quiridu, vamu entranu!

Conversa vai, conversa vem, o forasteiro sorvendo o café ralo passado indagorinha, perguntou do preço. O mané, coisa e tali e tali coisa, fez que sim, fez que não, por mim e a mulhé non vendia, que o mô bisavô nasceu aqui, que o mô avô nasceu aqui, que o mô pai nasceu aqui, que uj mô filho maj a mulhé nasceru tudu aqui, que, se dependesse da minha pessoa morria aqui, enrolou, enrolou e por fim deu o preço. O forasteiro sabia que valia, mas disse tá salgado. Pois o amigo que faça a sua prepojta.

Proposta feita, o mané disse que não, é muito pôco, non dá nem o preço du’a janela pra cada filho, que além du maj a propiedade é muito boa, que tem o mari na porta de casa, que tá tudo asfartado, que tem a casa toda arreformada, que tem o terrero grande, que tem uj pé de pitanga e uj pé de café, além duj pé de manga que todu anu ficava carregadinh’ carregadinh’. O forasteiro ficou intrigado. Pé de manga? Carregado? Mas como se manga é fruta de clima quente e aqui no sul é esse frio de cair neve durante o inverno? O mané tascou-lhe:

– É qui essa é da modalidade “Manga Comprida”. Táj pensanu c’ô sô tanso di prantá da ôtra?

Vendo que não ia se criar, o forasteiro tratou de fechar o negócio.

*a partir de uma tirada do amigo Edson Ferreira

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