Verbi, o idioma do caos

O que antecede a memória, livre de sentido da palavra, dos códigos dos gestos, dos significados implantados, reconhecidos, repetidos. O solo “Verbi, o idioma do caos” revela o processo investigativo do ator, músico e ator Luiz Canoa, desamarra os significados de gerações, a formalização dos gêneros e, de certa forma, a política de ser em sociedade. Sem pretensão de impor um olhar fixo, muito menos uma crítica declarada. Abre a possibilidade de transitar pelos territórios do mundo por meio do corpo, desapegado de vestígios. “O verbo funciona como princípio, um impulso invisível que gera a matéria, a intenção. Os recortes de memórias são como dispositivos para o movimento, uma linguagem anterior que desvia de leituras óbvias”, conta Luiz. O solo estreia nos dias 11 e 12 de outubro, às 20h, no Teatro da Ubro, em Florianópolis (SC).Segue com apresentações em novembro na Casa das Máquinas, nos dias 8 e 9, e encerra temporada no Baobah, nos dias 19 e 20.

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Com direção de Marisa Naspolini, o trabalho conecta as linguagens da dança, da música e do teatro, constrói camadas coreográficas e sonoras, “um lugar onde todas as línguas, todas as danças, todas as linguagens poderiam ser nossas”. “O espetáculo explora a trajetória humana arquetípica, buscando equivalências entre a trajetória de um indivíduo e a trajetória humana no planeta, como a infância e o processo evolutivo da consciência, passando por questões existenciais ligadas à origem das coisas e os conflitos próprios da contemporaneidade”, explica Marisa.

As danças populares brasileiras, foco de pesquisa do ator, instigam a criação das corporeidades. “As danças populares brasileiras sofrem uma desconstrução de seus próprios padrões e se relacionam com outros gêneros e linguagens, como a música, ruídos, mímica, máscaras e línguas, e esta nova corporeidade criada gera um repertório distinto do seu contexto original, servindo a um diálogo criativo entre tradição e contemporaneidade”, acrescenta Canoa.

O trabalho propõe um processo de desterritorialização, no qual esta síntese, em que todas as linguagens poderiam ser nossas e nossa linguagem poderia ser de todos, funda um idioma caótico que flerta com a linguagem dos sonhos. O espetáculo busca um espaço que antecede a memória, que recorta as noções de gênero, nação, fronteiras, construindo e desconstruindo os limites do ser.

Verbi é o segundo solo do dançarino, ator e músico Luiz Canoa, paulistano radicado na ilha, que criou sua companhia em 2007, com o espetáculo solo Viandeiros. Em seu percurso de pesquisa, o Teatro Alkmico tem investigado os arquétipos como força formativa da linguagem cênica, trabalhando nas fronteiras entre dança, música e teatralidade e no diálogo entre tradição e contemporaneidade. Luiz tem larga experiência como ator, dançarino, músico e professor. Em 2012, viveu em Portugal, desenvolvendo o projeto Maratona de Diversidade Cultural Brasileira e Contemporaneidade, onde lecionou, circulou com seu espetáculo Viandeiros, e com o recital Di Versas Canções, em que canta canções de sua autoria.

No espetáculo Verbi, ele realiza uma parceria com a atriz e pesquisadora Marisa Naspolini e o Baobah Novas Formas de Inteligência, instituição de proposta inovadora que trabalha com o desenvolvimento pessoal a partir de novos recursos e concepção de inteligência. Marisa, que integra a equipe do Baobah, assim como outros profissionais envolvidos na criação do espetáculo, atuou como atriz e/ou preparadora de atores em mais de trinta espetáculos no Brasil e no exterior. É autora de dois livros e é cofundadora do Vértice Brasil, articulado ao Projeto Magdalena, uma rede internacional de mulheres ligadas ao teatro e à performance. O projeto Verbi foi contemplado com o Edital de Estímulo à Cultura Elisabete Anderle 2013, do Governo do Estado de Santa Catarina.

Ficha técnica:

Atuação e concepção: Luiz Canoa
Direção: Marisa Naspolini
Cenografia e máscaras: Ramon Noro
Figurino e maquiagem: Emmanuel Bohrer Jr.
Consultoria dramatúrgica: Jussara Paraná Sanches Figueira
Iluminação: Mirco Zanini
Trilha sonora: André Rangel, Dimitri Camorlinga e Luiz Canoa
Fotos: Yéssica Saavedra Seguel
Design gráfico: Ramon Noro
Assessoria de imprensa: Luciana Moraes
Produção: Teatro Alkmico
Realização: Teatro Alkmico e Baobah Novas Formas de Inteligência

SERVIÇO:

Onde: Teatro da UBRO
Quando: 11 e 12 de outubro as 20h
Quanto: R$ 20,00 e 10,00

Onde: Casa das Máquinas
Quando: 8 e 9 de novembro as 20hs

Onde: Baobah
Quando: 19 e 20 de novembro – Gratuito

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