VERGONHA É ROUBAR E NÃO PODER CARREGAR

Sou psicoterapeuta há 38 anos e jamais tive a experiência de ouvir tanta redundância em uma só semana. Tenho 72 anos e jamais ouvi de meus amigos tanta confissão de pequenos surrupios. Nem diante de cataclismas e surpresas políticas ouvi tantas referências ao mesmo fato.
Por Anna Verônica Mautner

Não que todo mundo tivesse falado do Sobel, mas todos falaram sobre suas pequenas cleptomanias. Manta de avião, chinelo de sauna, miudezas em supermercado, dinheiro da carteira da mãe, tolhas de motel e outras lembranças. Sem falar de miudeza mesmo, como potinho de geléia de hotel, carretel de linha etc. etc. etc. etc. etc.
Sobel levou todo mundo a um exame de consciência: tem coisa que é de roubar. Com a desculpa de que “está incluído no preço, está previsto, todo mundo faz”, todos fazem. Poderei receber aqui comentários de quem nunca faz, fez ou faria.
Ouso dizer a vós que negais que sois minoria rara e escassa. Tem uns mais sofisticados que trocam etiqueta de preço de uísque caro por uísque barato, mas isso já é um projeto, não é uma farra.
Se minha clínica e meus amigos são representativos, somos membros de um império de olho gordo, onde reinam as pequenas ousadias, os pequenos riscos e suas correspondentes pequenas satisfações.

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