Victor Márcio Konder

No último dia nove de novembro Itajaí perdeu um dos seus filhos mais ilustres: Victor Márcio Konder.
Por Magru Floriano

Militante da esquerda radical entre os anos 30 e 60, viveu no centro do cenário político nacional ao lado de personagens como Luis Carlos Prestes, João Amazonas e João Goulart, sendo perseguido pelos governos autoritários. Nos últimos anos promoveu um acentuado processo de revisão de suas idéias e posições políticas que culminou com a publicação do livro Militância no ano de 2002, bem como sua filiação ao PFL, onde atuou no Instituto Tancredo Neves de Pesquisas e Estudos Políticos, Econômicos e Sociais.
Victor Márcio Konder nasceu na cidade de Itajaí no dia três de novembro de 1920, fruto do casamento de Marcos Konder com Maria Corina Regis Konder (da tradicional família Lebon Regis). Victor deve sua militância na esquerda à influência direta de sua mãe, conhecida como “Sinhá”, que durante a Revolução de Trinta fugiu de Itajaí e acabou por se instalar definitivamente na cidade do Rio de Janeiro. Nesta cidade chegou a ser amiga de Luis Carlos Prestes e influenciar os filhos Valério e Victor a militar junto ao Partido Comunista Brasileiro. Por esta militância chegou a ser preso em duas oportunidades e cassado pelo AI-5 após 1968.


Magru Floriano no lançamento do livro de Victor Márcio Konder, em Florianópolis

Victor Márcio Konder estudou o secundário na cidade do Rio de Janeiro, formando-se em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. No período em que cursou a faculdade (década de 40) teve intensa militância no movimento estudantil, chegando a ser diretor do Centro dos Estudantes Cariocas, bem como dirigente e orador da UNE – União Nacional de Estudantes. Sua participação nos movimentos estudantis o estimula a escrever de forma sistemática para a imprensa carioca e nacional, fato que posteriormente o levou a ser articulista do Jornal do Brasil e Folha de São Paulo, além de colaborar com as tradicionais publicações de esquerda Voz Operária e Folha do Povo (de Pernambuco). Ainda na imprensa Victor Márcio Konder teve oportunidade de tecer um extraordinário currículo, sendo diretor da Rádio Diário da Manhã (Florianópolis), Agência Interpress (Rio de Janeiro), Revista de Problemas Brasileiros (Rio de Janeiro) e Jornal de Santa Catarina (Blumenau).
Victor Márcio Konder também teve uma larga experiência no magistério superior, lecionando na UFSC e principalmente na Fundação Educacional de Santa Catarina – posteriormente denominada de UDESC. Ali chegou a lecionar as disciplinas de Antropologia, Cultura Brasileira e Economia. Como intelectual reconhecido por todos, foi o primeiro superintendente da Fundação Catarinense de Cultura, membro do Instituto de História e Geografia de Santa Catarina, presidente de honra do Instituto Tancredo Neves de Pesquisas e Estudos Políticos, Econômicos e Sociais, membro da Academia Itajaiense de Letras. Na vida política chegou a ocupar o cargo de oficial de gabinete do presidente João Goulart e assessor de gabinete do Ministério da Agricultura.  
Victor Márcio Konder morreu aos 85 anos, nas primeiras horas do dia nove de novembro de 2005, vítima de complicações cardíacas, em sua residência, na cidade de Florianópolis. Seu sepultamento ocorreu às 17h30min no Cemitério da Paz, Bairro Itacorubi – Florianópolis. Deixou viúva Rosa Weingold Konder, e dois filhos: Márcia e Pedro. Seu falecimento mereceu destaque nos principais jornais catarinenses, entre os quais: Jornal de Santa Catarina, Diário Catarinense e A Notícia.
*Magru Floriano é pesquisador e autor do livro Quem escreve em Itajaí. Nessa obra ele apresenta os resultados de 30 anos de pesquisa da imprensa e do rádio da região.
 
Nota da Redação: Victor Márcio Konder foi diretor da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis no início da década de 1960. Quando do golpe militar de 1964, foi substituído pelo coronel da reserva da Polícia Militar do Estado, Euclides Simões de Almeida.
 


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