Vida e música

Há poucos dias perdi o sono, aliás, sofro de insônia faz quase 30 anos; já devo ter me acostumado. Sei lá se me acostumei ou se me conformei. Não vou falar nesta crônica sobre remédios que nos fazem dormir ou nos fazem sentir que dormimos, vou falar sobre um remédio incrível

 

Saio da cama às 5:45h. Banho e um cafézinho rápido. Mas há poucos dias o sono fugiu por algum canto de alguma janela do apartamento. O relógio marcava 3:40h. Não sei o porquê, mas uma música me veio à mente. Uma das minhas irmãs, a Ane, como a chamamos desde de sempre, me emprestou seu tablet. A música vinha à mente de forma natural e fui direto, sem os óculos, digitando um trecho da música. Não sabia o nome, mas a tecnologia é maravilhosa. Sabia que a música dizia mais ou menos assim: “Se essa rua se essa rua fosse minha…”. Pronto. Lá estava a música em várias vozes, ora de homem ora de mulher. Com os fones nos ouvidos relaxei e viajei, não sei se para a infância de criança ou se para a de adulto. O adulto que guarda ou esconde uma criança cheia de sonhos; sem medo de perguntar, de descobrir, de se descobrir, de brincar e viver, só viver, sem saber ou se preocupar muito com o depois. Os cantores que gravaram essa linda composição têm uma voz maravilhosa. “Se essa rua, se essa rua fosse minha Eu mandava, eu mandava ladrilhar Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes Para o meu, para o meu amor passar”. Que maravilha. Se alguém disser que é frescura, nem respondo.

Em seguida a tecnologia me presenteou com a música – Felicidade – Lupicínio Rodrigues, na voz de Caetano Veloso. A mente foi longe, nem sei para onde, mas foi. Foi visitar a infância com seus sonhos e descobertas. Sem comprar passagem me levou até à adolescência com suas maravilhosas inquietudes e paixões que pareciam únicas. Sem pedir licença viajou pelos pensamentos que raramente compartilhamos. Em seguida pegou carona com – Amigo do sol, amigo da lua, Benito de Paula. Lembrei que naqueles tempos o tempo parecia não passar; simplesmente o vivíamos da maneira mais intensa possível. Sem saber que o tempo estaria sempre conosco, mas nós poderíamos passar sem nos dar conta.

Quando o sono e sonhos me embalavam como uma criança adolescente adulta ainda ouvi – Sozinho, composição de Peninha, na voz deslumbrante de Caetano. De repente acordei. Era hora de me preparar para o trabalho. O dia foi especial. Por dias voltei a ouvir essas e outras músicas que há tempo não ouvia.

No jornalismo a crônica nos dá essa espetacular liberdade: Conversar com os leitores. Não sei onde estão. Não sei quem são nem quantos são. Nem sei há alguém que ainda pare para ler. Mas como ia dizendo no início desse parágrafo – Qual ou quais as músicas que marcaram a sua vida, um momento, um sonho? Se quiser publicar no espaço abaixo, será bem vindo. Se preferir responder na mente e no coração também será bem vindo. Para quem? Para quem se deixa levar pela arte da música, que segundo o dicionário significa – arte de expressar ideias por meio de sons – entre outras definições. Qual é a sua: Digo, a sua definição de música ou da música que marcou sua vida?

Considero-me eclético no gosto musical. Faço um convite: Pare, pense, lembre-se, qual ou quais músicas marcaram sua vida? Ouça e faça uma bela viagem sem gastar nada e nem sair do lugar. Afinal de contas, música e vida caminham de mãos dadas. Caminhe por essa arte e sinta o sabor que é difícil até de compartilhar, porque – bate aqui, no coração, nas memórias, em nossa existência. Uma benção do Criador para todos. Se houver alguém para compartilhar, melhor, mas isso é raro. Só nós sabemos o que ficou e ficará por muito tempo ou para sempre aqui: Entre a nossa vida e as músicas que a marcaram.

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