Violência é como bumerangue

Lamentavelmente a imprensa brasileira abre espaço cada vez mais à violência em nosso país. O que hoje as tevês mostram em seus programas policiais é o caminho para que cada vez mais crimes ocorram. Filmes violentos também dão a “letra” de como roubar e matar. Na Noruega, os canais de televisão colocam uma tarja preta em cima das cenas de nudez. Mas, a violência a que me refiro neste artigo é a que a imprensa ajuda a estimular e projetar no esporte.

Aprendi em meus 47 anos de atividades que o bom jornalismo e o bom jornalista devem sempre ouvir os dois lados antes de divulgar qualquer notícia questionando o assunto com três palavras: como, onde e por quê? Notícias sensacionalistas sempre estiveram nos jornais, rádios, tevês e internet, mas, a incitação à violência passou dos limites.

As brigas entre torcidas organizadas nos eventos esportivos diminuíram bastante, mas, persistem. O que não dá mais pra aceitar é o exagero no sensacionalismo que se faz muitas vezes durante dias. Dá a impressão até de ser coisa pessoal. É o que esta semana ocorre em torno da volta de Ronaldinho Gaúcho ao Olímpico para enfrentar seu ex-clube o Grêmio.

Até notas de 100 reais com a foto do jogador foram impressas. Ronaldinho está sendo chamado taxado como o maior bandido da história de um clube de futebol. Se esse tipo de notícia não fosse para as páginas dos jornais, telas de televisões, rádios e internet se evitaria esse ato de violência com um ser humano.

A imprensa infelizmente fomenta e depois quer criticar a violência. Vender jornais, aumentar a audiência de rádios e tevês, acessos à internet, deve ser feito com cuidado para evitar a volta do “bumerangue”. É isso aí.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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