Viva o celular, abaixo o celular no rádio

Para um jovem repórter de radiojornalismo chega a ser difícil até mesmo pensar em como fazer um boletim ao vivo, da rua, sem o uso do telefone celular. Nunca se teve, na reportagem, tanta liberdade de movimento, permitindo boletins em acidentes de trânsito, catástrofes ou mesmo pegar um jogador na saída de um treino no meio da semana.
Por Luciano Almeida

Tantas benesses no entanto levam à triste conclusão que ao jornalista que trabalha em rádio o melhor é deixar o celular sem uso, tipo chaveirinho pendurado na alça da calça, na hora de entrar no ar.

Isso porque ao facilitar a vida de seu usuário o aparelho tem um pequeno defeito que pode prejudicar a compreensão do enunciado que sai do gogó do entrevistador e dos entrevistados. A clareza técnica é semelhante a um abafamento com a mão de uma pessoa que está falando. A qualidade do som cai com se tropeçasse de uma escada em um degrau, ou mais. E se o entrevistado não mostra desempenho na sua fala, a possibilidade dos ouvintes ou de não entenderem do que se trata ou de mudarem de estação ou, sim, infelizmente, desligar o rádio.

A telefonia celular ainda precisa desenvolver mais qualidade de chegada do sinal. É preferível, enquanto repórter, correr uns metros, poucos muitas vezes, e abraçar o bom e velho camarada de todas as horas, o orelhão. Dali a transmissão garante a manutenção de uma boa qualidade, quase sempre.

Inclusive é possível passar sonoras de gravadores de fita cassete (ainda em voga no radiojornalismo), editando o seu conteúdo ali da esquina. Mesmo com toda facilidade do celular, ele deve ser evitado ao máximo para entrar no ar. No entanto, seja esperto, sempre tenha seu chaveirinho a mão para fazer um contato preliminar com a estação ou com as fontes, acertando a ligação convencional. E claro, se o fato está no seu nariz e o telefone fixo distante, puxe o seu celular e fale alto e forte para ser melhor compreendido.

Luciano Almeida é jornalista. Trabalhou nas rádis CBN e Guarujá em Florianópolis, também deu aulas de radiojornalismo no curso de Comunicação Social do Ielusc/Bom Jesus em Joinville.


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