Vivendo e aprendendo

Joe 90 era um filme de animação da mesma geração de Fireball XL5, Stingray, Thunderbirds e Capitão Escarlate. O que ele tinha de especial era que o protagonista: um menino que entrava num globo giratório e, depois de algumas rotações: Bingo! adquiria temporariamente o conhecimento de outras pessoas. Na mesma época, o Dr. McCoy, num episódio de Jornada nas Estrelas, entrou num aparato alienígena e recebeu todas as informações necessárias para fazer uma antes impensável cirurgia no intrincado cérebro do Sr. Spock. Ao sair da máquina, McCoy falou que agora era tudo tão claro e simples… Uma antiga propaganda dizia: “É fácil, quando se sabe”. O problema é que, depois de algum tempo, ele também foi perdendo esse conhecimento.

Em Johnny Mnemonic (1995), Keannu Reeves é uma espécie de pen drive humano, que recebe um monte de informações secretas no cérebro, que devem ser transferidas num determinado prazo, senão ele “pira na batatinha”. Aliás, ele não tinha acesso a elas: às informações, não às batatinhas!

Curiosamente, o mesmo Reeves, tempos depois, na trilogia Matrix (1999 a 2003), recebeu muito mais informações na cachola, sem endoidar e, melhor, os conhecimentos e habilidades valiam no mundo virtual e, salvo engano, também no real!

Que fantástico seria se a gente pudesse aprender o que quisesse apenas transferindo informações para o cérebro!

Quer aprender mandarim? Pluga! Quer tocar violoncelo como o Yo-Yo Ma? Conecta!  Quer pilotar um Fórmula 1 como o Senna? “Espeta” na USB! Mas, evite pilotar em Monza, per favore! Quer cantar funk? Bem, aí não precisa nem de neurônios… (perdoem-me o preconceito).

Capturar conhecimento dessa forma é tentador, não?

Ninguém mais precisaria de cola! Ninguém mais precisaria ir à escola! Não haveria mais professores, mas bancos de dados em prateleiras de supermercados populares ou “gourmets”, com a pirataria de praxe, sem falar em propaganda enganosa.

“Oferta do dia: Leve Física Quântica e Teoria da Relatividade e ganhe grátis, um sonho caliente com a Paz Vega, porque ninguém é de ferro!”

Mas, onde ficam: a criatividade, a inovação, o mérito, o esforço, a inteligência e a sabedoria nessa história?

Se considerarmos que muita gente tem potencial, independentemente de raça, credo e, principalmente, poder aquisitivo, talvez a apreensão rápida dessas informações permitisse a cura de males físicos, psicológicos e psiquiátricos; acabar com a fome e as guerras; levar o ser humano para outros mundos, evitando a superpopulação da Terra…

Mas, não é assim que as coisas funcionam. Pelo menos, não ainda.

A aprendizagem é um processo que perdura por toda a vida! E que deve levar à autonomia de pensamento, permeada pelo bom senso.

Não falo, portanto, de doutrinação ou adestramento, daqueles que ensinam tecnologia de ponta, idiomas e “teologia” para a submissão ou destruição do semelhante.

Eu adoro aprender! Por mim, passaria o dia todo aprendendo! Aliás, não poder fazer isso às vezes me causa uma terrível ansiedade, geralmente acompanhada pela lembrança daquela música de Raul Seixas: “… que só usa 10% de sua cabeça, animal!”. Porém, viver é preciso, pois, mesmo que a gente aprendesse ao estilo Matrix ou Joe 90, pagar contas ainda exigiria trabalho remunerado, embora o estudo de probabilidades até permita prever o resultado de loterias. Daí para a capacidade de premonição vai um caminho um pouco mais complexo…

Aprender continuamente é um processo de libertação!

O que enlouquece ou ofusca o brilho das pessoas é a restrição ou o direcionamento do pensar, para confiná-las em rebanhos de interesse.

Ainda não descobriram a real capacidade de armazenar e processar informações do cérebro humano. Isso é fácil, com máquinas, e até já tentaram transformar pessoas em máquinas, para limitar e controlar suas ações e reações.

Querer acreditar que sabe muito ou, até, tudo; ou que aprender não é necessário, só serve para arrogantes, acomodados e aproveitadores de todas as raças, credos e ideologias!

Aprender é acreditar na vida! É respeitar o que a humanidade já produziu! É acreditar no futuro!

E é preciso aprender até o último suspiro, já curioso com o que virá depois…

Adilson Luiz Gonçalves | Mestre em Educação | Escritor, Engenheiro, Professor Universitário, Conferente e Compositor | Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa e Comportamento) | Leia outros textos do autor e baixe gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas e Dest Arte em: www.algbr.hpg.com.br | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59  | [email protected] e [email protected] | (13) 97723538

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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