Vou Botá Meu Boi na Rua

Detalhe da parte de cima da contra capa do 1º LP do Grupo

Detalhe da parte de cima da contra capa do 1º LP do Grupo

Os vai e vens dos modismos, maneirismos e outros ismos ainda mais superficiais, em grande parte dançam ao sabor das ondas dos meios de comunicação social. A música popular está entre as manifestações da arte que mais sofrem com esse bailado, muitas vezes sem sentido. A partir dos anos de 1960 o país foi inundado com as concessões de rádio e televisão com duas novidades: a avalanche de rádios em freqüência modulada (FM) e as cores na televisão. Foi ainda nesse período que começou a distribuição de sinais de TV por micro-onda permitindo a reprodução do Jornal Nacional, novelas e outros programas em tempo real para todo o país.

Essas facilidades se refletiram na banalização dos costumes urbanos que passaram a ser assimilados pelas populações periféricas e rurais. A música popular de outros países, principalmente no que tinha de pior foi derramada sobre os ouvidos despreparados de uma imensa maioria da população brasileira que via nas estações em FM uma novidade que deveria ser assimilada para que essa parcela da população se considerasse incluída, como proclamavam os demagogos que se escondiam sob o manto do “politicamente correto”.

Em Santa Catarina, em particular, isso foi devastador, pois em menos de 20 anos o número de emissoras de rádio mais do que duplicou e a televisão quintuplicou passando de duas para 10 geradoras. Por menos que se responsabilize, esses meios de comunicação que representam grande avanço em termos tecnológicos deixaram – e continuam deixando, ressalvadas as parcas exceções – muito a desejar no que se refere à preservação e divulgação do que de melhor Santa Catarina tem em termos culturais e artísticos.

Entre as exceções está, por exemplo, o Grupo Engenho. Nascido e amadurecido no final dos anos de 1970. O grupo fez sucesso com temas do folclore e da cultura local transformados em música popular de primeira qualidade, como este Vou Botá Meu Boi na Rua, resultado de pesquisa sobre o Boi de Mamão feita por Alisson Mota e aqui apresentada com interpretação (voz e violão) do próprio Alisson com o acompanhamento de Cristaldo (sanfona), Marcelo (baixo), Chico (bateria), Frazê (percussão), Gentil (Orocongo) e cantoria Boi de Mamão e Grupo Engenho.

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