Voz de ouro

Cantora Marlene completa 60 anos de carreira musical e recebe as homenagens em livro e exposição
Os 60 anos de carreira fonográfica completados em 2006 pela cantora Marlene são a fase mais duradoura e também mais conhecida de sua produção artística. É esta a data comemorada pela exposição Seis Décadas de Vitória, na Biblioteca Pública do Rio de Janeiro e pelo livro Teu Nome É Vitória, em processo de elaboração pelo pesquisador Cézar Sepúlveda.
Por Fábio Bianchini
DC de 23/02/06 – Edição nº 7253

É de Sepúlveda a maior parte do material à mostra na exposição, que inclui fotografias e um DVD, mas o evento foi iniciativa da Amar, a Associação Marlenista, seu fã-clube mais ardoroso, criado nos tempos da rivalidade com Emilinha Borba pela preferência dos ouvintes de rádio do início dos anos 1950. Antes de fazer seus primeiros registros em disco, ela já era famosa por sua carreira como cantora de rádio e cassinos. Os títulos do livro e da exposição aludem ao nome de batismo da cantora: Vitória Bonaiutti de Martino.
Ela nasceu na colônia italiana de São Paulo no dia 18 de novembro de 1924 e estudou como interna no Colégio Batista Brasileiro até os 17 anos, quando foi cantar no programa de rádio Hora do Estudante. Logo sobressaiu-se e estreou como profissional em 1942, já com o nome artístico que adotou em homenagem à atriz Marlene Dietrich. Mudou-se para o Rio, onde cantou nso Cassinos Icaraí e da Urca. Nesse período, estreou no cinema em Corações sem Piloto (1944), de Luís de Barros.
Primeiro disco foi um compacto pela Odeon
Foi pela Odeon que gravou em 1946 o seu primeiro disco, um compacto de 78 rpm com as músicas Swing no Morro e Ginga, Ginga, Morena. Sua popularidade aumentou ainda mais quando foi cantar na boate do Copacabana Palace e no programa de auditório de César de Alencar, na Rádio Nacional, até que foi eleita Rainha do Rádio em 1949. É dessa época a rivalidade com Emilinha. Nos anos seguintes, emplacou sucessos como Lata D’Água na Cabeça, Mora na Filosofia e outros mais. Casou-se com o ator Luís Delfino, que conheceu quando filmava Tudo Azul, de Moacir Fenelon, lançado em 1952, ano em que estreou no teatro com a peça Depois do Casamento.
Seu disco mais recente é Estrela da Vida, que gravou em 1997, após 20 anos longe dos estúdios, com canções de Chico Buarque e João Bosco. Seu estado de saúde piorou nos últimos tempos e ela submeteu-se a cirurgias cardíacas.
([email protected])


Rainha do Rádio e dos bailes de Carnaval das décadas de 1940 e 1950 


Marlene lançou último disco em 1997


Cantora ficou 20 anos sem gravar


Com a rival e amiga Emilinha Borba 


Livro Teu Nome É Vitória

Fotos: divulgação/DC


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1 responder
  1. João Carlos Telis says:

    Como jornalista nunca consegui ver a Rádio Nacional como um meio de comunicação que não tivesse por objetivo apenas o entretenimento. Hoje, que ninguém mais lembra de porra nenhuma, tenho a nítida impressão que tudo aquilo aconteceu (e ponha coisa nisso!) só para que Marlene pudesse existir. A dez anos atrás tentei fazer um CD com ela que teria como título “Marlene – Não tem tradução” e para tanto, tive de pesquizar sua carreira de fio a pavio; cheguei a uma conclusão artisticamente técnica: Marlene foi realmente o único fato da MPB que não teve relação com tempo e espaço, mas com ela mesma. Só não gosta de Marlene que é cego e surdo. Hoje eu a revi em “O cantor e o milionário” de 1958. Sua performance em “Quero sambar” de Zé Keti é transcedental!!!

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