Voz do Brasil

Até parece um gesto coletivo, um fenômeno mundial. Quase o país inteiro desliga o rádio às sete horas da noite. O que era apenas uma suspeita agora passa a ser comprovado.
Extraído da Revista da Associação Catarinense de Empresas de Rádio e Televisão (Acaert)

Uma pesquisa inédita encomendada pela Associação Catarinense de Empresas de Rádio e Televisão (ACAERT) e realizada pelo Instituto Mapa revela que 53% dos entrevistados nunca escutam a Voz do Brasil e 29% raramente acompanham o programa. Apenas heróicos 3% disseram que escutam todos os dias. O levantamento foi feito com 1.200 catarinenses, a partir dos 16 anos de idade, em 40 municípios de todos os portes do estado, entre o período de 18 a 25 de julho deste ano. A margem de erro é de no máximo 2,8%.
O dado curioso da pesquisa é que dois terços das pessoas consideram o programa “importante” ou “muito importante”, ou seja, a maioria não ouve, mas acha importante. “Pode-se, portanto, criar a hipótese de que o programa, sob a ótica dos cidadãos, é importante para a sociedade, mas não para si próprio”, tenta explicar José Nazareno Vieira, diretor do Mapa, para mais esta contradição brasileira.
O levantamento também mostra que 57% dos pesquisados são a favor da flexibilização do horário da Voz do Brasil, entre as 19h e 24 horas.
Esta é, aliás, a proposta defendida pela ABERT, ACAERT e todas as Associações estaduais de Radiodifusão (e a torcida do Flamengo).
Existe, inclusive, projeto tramitando no Congresso Nacional prevendo a flexibilização.
Por causa da obrigatoriedade do horário, muitas emissoras de rádio já deixaram de prestar vários vezes serviços essenciais à comunidade.
Numa cidade como São Paulo, por exemplo, a informação precisa do rádio sobre o trânsito passou a ser uma necessidade básica. “No último temporal em Florianópolis, também tivemos que interromper as transmissões por causa do programa”, explicou o coordenador de jornalismo da CBN Diário, da capital catarinense, Carlos Alberto Ferreira. “Isso sem falar nos problemas de transmissão de jogos neste horário”, salienta.
O mesmo problema sofre outras emissoras. A população de São Miguel D’Oeste (SC) está acostumada a acompanhar as sessões da Câmara de Vereadores pelas ondas da Rede Peperi. “Toda vez que a sessão começa mais cedo, temos que interromper os trabalhos”, reclama o coordenador de jornalismo da rádio, Ageu Vieira. Com a palavra, os senhores parlamentares.


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