Vozes

Nos anos dourados do rádio, falar num microfone exigia antes de tudo qualidade de voz. Nos testes realizados o item principal era a voz. Uma voz fina, gutural ou mesmo distante  do padrão em vigor nas emissoras, colocava o candidato a locutor fora da disputa. Locutor tinha que emitir uma voz grave, mas um grave suave e agradável. O grave chamado cavernoso, semelhante aos atores que faziam papeis em filme de terror, do tipo Boris Carloff,  não eram bem aceitos. Os parâmetros nesse setor eram locutores famosos  das grandes emissoras nacionais como César Ladeira, Humberto Marçal, Souza Miranda, Reinaldo Costa, Alcides Vasconcelos, Antunes Severo, Hiran Nunes e muitos outros.

Quando se tratava de locutoras, que não eram muitas e tinham participação pequena na programação, a exigência era semelhante. Mulher com voz de vendedor de bilhete de loteria que costuma falar em tom muito alto, ficava fora do microfone. Delas também exigia-se uma voz suave , quase grave ou até grave mesmo, como Nilda Ferreira, Iris Lettieri, Nívia Maria etc. Tudo isso é historia do passado quando o rádio era o principal veículo de comunicação de massa e o profissional um cidadão de grande talento com as características que o próprio rádio exigia de cada um.

Hoje tudo mudou.

Ninguém mais se preocupa com qualidade de voz, nem com dicção. Cada um fala do jeito que sabe e muitos sabem pouco a respeito de locução. A voz feminina que se ouve no rádio moderno, na maioria das vezes, é aguda e desagradável. Costumam falar alto e numa imensa gritaria que faz pensar que alguém naquela emissora pensa que os ouvintes são todos surdos ou que ainda não inventaram o alto-falante e o locutor tem que falar  como os camelôs que vendem produtos piratas nas feiras.

Categorias: , Tags: , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *