Waltinho da Adélia, o craque do meu coração

Às dez e meia da noite daquela sexta-feira 26 de setembro de 1986, meu pai, Walter Cúrcio, o Waltinho da Adélia, fechava os olhos para sempre no Hospital de Caridade aqui em Florianópolis. Na foto, ao lado do cantor Agnaldo Rayol.

Waltinho pai do WalterFilhoLá se vão 27 anos! Não há um dia que eu não lembre, afinal, a Assembléia Legislativa, onde trabalho, é vizinha do Hospital. Este ano vai ter Cúrcio, dizia sempre na passagem de ano, reforçando a ideia de que teria curso a vida de nossa família.

Nas últimas horas de sua vida – como isso me marcou – o  pai olhava insistentemente para o relógio de pulso. Era uma corrida contra o pouco tempo que restava e ele aguardava apenas a chegada de sua esposa, companheira e amiga, nossa mãe Adélia Eufrásia Mendes Cúrcio.

Quando lhe perguntei se esperava por ela, mexeu a cabeça sinalizando que sim. Fiquei agoniado torcendo para o que os minutos passassem em câmera lenta; que nossa mãe chegasse antes da partida eterna.

Quando vi  mamãe descendo do carro no pátio de trás  do Hospital de Caridade gritei: Pai, a mãe chegou! Seu rosto ficou sereno.

Entrando no quarto, último cenário e último capítulo da vida dele, mamãe ligeiramente aproximou-se do marido, colocou as mãos sobre as mãos daquele que fora um dos maiores craques de futebol do sul do país e disse:

– Walter, cheguei. Sou eu, a Adélia.

Meu pai olhou pra ela com um olhar tão significativo, tão cheio de gratidão, que com certeza estava lhe agradecendo por tudo que fez por ele durante os trinta e três anos em que viveram dividindo as alegrias e tristezas, as dificuldades e vitórias, as lágrimas e os sorrisos.

E assim meu pai partiu. Agradecendo com os olhos e agradecido de coração, aos 57 anos de idade.

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