WebRadio, a metamorfose da comunicação – 2

Em agosto de 2009 a Editora Insular de Florianópolis, SC, lançou WEBradio – novos gêneros, novas formas de interação -, da jornalista, doutora em Linguística Aplicada, Nair Prata. Nair gradou-se e doutorou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais e com a tese que deu origem ao livro ganhou o 3º lugar no Prêmio Freitas Nobre de Doutorado, concedido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), entre outros. Trago essa informação para reintroduzir a tecnologia como tema de consideração nas discussões acadêmicas, técnicas, políticas,  empresariais e profissionais sobre o estado atual da radiodifusão, sobre as atuais tendências e o que está por vir num futuro muito próximo. Para isso passo a palavra ao professor Eduardo Meditsch que comenta o livro de Nair Prata no artigo Da radiodifusão à rede, postado na orelha esquerda do livro de Nair Prata.

“Em seu relatório anual sobre o estado da mídia norte-americana, o Pew Project for Excellence In Journalism, dos Estados Unidos, fez uma radical alteração no título do capítulo tradicionalmente denominado rádio. Em 2009, ele passa a aparecer como áudio. E o primeiro parágrafo do texto explica a alteração: ‘o rádio está a caminho de se tornar algo totalmente novo: um meio chamado áudio.”

“O relatório constata que a mobilidade da voz e da música faz com que hoje, o meio de comunicação que tem nesses elementos a sua linguagem, esteja se transformando bem mais rapidamente do que os outros, através do processo de convergência trazido pela digitalização. E que, embora as emissoras analógicas de AM e FM continuem , ainda hoje, representando a forma principal de difusão e consumo de mensagens sonoras, este panorama está mudando de forma acelerada nos Estados Unidos. Cada vez mais, os americanos ouvem rádio pelo computador, e escutam música baixada pela internet, em toda a sorte de aparelhos portáteis”.

“Esse livro sobre o fenômeno da webradio no Brasil capta um momento histórico riquíssimo em que essa transformação começa a alterar radicalmente o panorama do consumo de áudio também entre nós, colocando em questão hábitos e conceitos estabelecidos, e inaugurando novos gêneros e formas de interação”.

“Os profissionais e pesquisadores da mídia vivenciam hoje um momento tão angustiante quanto privilegiado de observação, em que a profecia de Carl Marx sobre a modernidade se realiza de maneira espetacular nesse campo: tudo que é sólido desmancha no ar. Mas a internet não representa apenas novo meio de comunicação, que supera em potencialidade todos os anteriores: é uma nova tecnologia intelectual que, como a escrita e a imprensa fizeram, em seus tempos, veio para mudar radicalmente a sociedade humana. Daí a importância de se registrar cada um dos passos de sua evolução e o impacto que traz para as formas culturais anteriores a ela”.

“É o que faz, com sensibilidade e rigor, essa obra da professora Nair Prata, fruto de uma tese de doutorado desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais e em parte, também, num estágio de pesquisa em Portugal. Profissional com uma rica experiência prática e um brilhante percurso acadêmico, Nair Prata mostra aqui o seu talento como jornalista e o seu preparo como cientista para montar um quadro vivo desse fenômeno híbrido. E consolida ainda mais o seu nome como uma das principais pesquisadoras de rádio do Brasil”.

Como leitura complementar ao estudo do tema webradio sugiro o livro Tudo que é sólido desmancha no ara aventura da modernidade de  Marshall Berman.

Tradução: Carlos Felipe Moisés e Ana Maria L. Ioriatti. O livro está disponível para ler ou baixar na internet.  (AS)

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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