Webradio: novas formas de interação

Vim para Braga atraída pela Universidade do Minho, um importante pólo português de cultura, pesquisa e ensino. Há dois meses estou aqui, fazendo estágio de doutoramento com uma bolsa de estudos da Capes, com pesquisa em webradio. Este é o tema da nossa conversa de hoje, leitor do Caros Ouvintes. Além disso, quero falar de algumas leituras que eu tenho feito sobre as novas formas de interação do rádio na Internet.
Por Nair Prata

Na Universidade do Minho (www.uminho.pt) lecionam 1.100 professores e estudam 16 mil alunos de várias nacionalidades. A universidade é pública, tem pouco mais de 30 anos de fundação e acertou ao voltar-se para o desenvolvimento tecnológico e o mercado de trabalho, atraindo assim estudantes e pesquisadores nacionais e estrangeiros. Há um outro campus da Universidade na cidade de Guimarães, a 30 quilômetros de Braga.
A Universidade tem sido apontada como o principal fator de desenvolvimento de Braga. Muitos estudantes vêem de outras cidades de Portugal e também de muitos outros países para estudar aqui. Depois de formados arrumam emprego, constituem família e acabam ficando na região que, desta forma, vai crescendo e se desenvolvendo. A Universidade do Minho oferece dezenas de cursos de graduação, mestrado e doutoramento.
Na área da Comunicação, além da graduação, há dois cursos de especialização e o mestrado em Ciências da Comunicação.


Os alunos entremeiam seus estudos com passeios em lugares que estimulam a reflexão.

A universidade parece ser a mola-mestra da vida de Braga. Os estudantes estão por todo lado e agitam os cafés, confeitarias, bares, meios de transporte e o comércio. Braga é considerada uma das cidades com população mais jovem da Europa (em 1989 recebeu o título “Cidade Mais Jovem da Europa”). O aeroporto mais próximo fica na cidade do Porto, distante 50 quilômetros e, de lá, o acesso a Braga pode ser feito facilmente por ônibus, trem ou carro.
As novas formas de interação proporcionadas pela Web dão ao rádio uma nova configuração neste início do século XXI. Hoje o ouvinte tem uma função muito mais ampla do que no rádio hertziano, onde ele se limita a mandar cartas, telefonar ou enviar e-mails. Na webradio, o ouvinte passa a ser um construtor da programação, pois pode interferir nela e mudar seu rumo.


A Universidade do Minho tem uma biblioteca principal em cada campus. Os estudantes estrangeiros têm acesso a estas bibliotecas depois de se inscreverem no GRI, onde lhes será atribuído um número de identificação.

Alguns autores têm escrito coisas muito interessantes sobre este assunto. Recolhi alguns tópicos para você conferir:
– Herreros (2001): O rádio na Internet adquire importantes ferramentas interativas: correio eletrônico, chats e fóruns.
– Noci e Ayerdi (1999): Características do novo produto eletrônico: digital, multimídia, interativo, rompe com a sequencialidade, possibilita o acúmulo de informações e é virtual.
– García (2001): “Partamos de uma realidade indissociável: a rede oferece (e impõe, e isto significa dar-lhe uso, sentido e conteúdo), três grandes recursos: a interatividade, o hipertexto e a miltimídia.”
– Armañanzas et al (1996): “Interatividade: talvez seja o conceito chave da era digital, multimídia, ou como se queira denominar. Define-se como a capacidade que tem o usuário de “perguntar” ao sistema, e assentar assim as bases para recuperar a informação da forma desejada. Trata-se de que o emissor não envie uma mensagem unidirecional, sem capacidade de resposta, que o receptor somente tenha capacidade de aceitar ou não. Rompe-se de alguma forma o conceito de meio de comunicação de massa. O receptor tem assim plena autoridade para tomar decisões e configurar, dentro de amplos limites, sua própria mensagem, assim como para dialogar, de uma forma ou outra, com o emissor.”
– Vivar e Arruti (2001): “Para este público, o que se quebrou é a tradicional relação entre o emissor e o receptor da informação, porque este agora é também emissor, ao menos potencialmente. Neste sentido, quanto mais tarde os meios reconhecerem esta nova realidade e atuar em conseqüência, maior tensão será gerada no mundo da comunicação”.

E você, leitor, acha que as novas formas de interação proporcionadas pela webradio têm este poder de transformar o ouvinte em construtor da programação? Deixe aqui o seu comentário.


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Por Nair Prata

Jornalista formada pela UFMG, Mestre em Comunicação pela Universidade de São Marcos e Doutora em Língua Aplicada pela UFMG. Trabalhos 18 anos em rádio. É professora do Centro Universitário de Belo Horizonte onde leciona no Curso de Jornalismo. Escritora, tem vários livros publicados.
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