Webradios Visuais: um futuro das rádios digitais

O que impera nas redes digitais hoje e nos diz respeito à rádio, ou mais precisamente ao radiojornalismo são sites mais transpositivos, que podem ser entendidos como “revolucionários”, “inovadores” ou “opinativos”.
Por Thais Maria Leal Valadares

Pode-se observar que o conteúdo das rádios passa para as redes telemáticas sem um acompanhamento um pouco mais detalhado, o que seria relevante e entreteria o internauta que está na frente da tela de um computador  e poderia, enfim, dispor de mais informações, além do próprio áudio, com informações visuais, como textos, imagens que não só acompanhassem a própria matéria em destaque, mas também o fizesse com outras. Apesar dos sites trazerem algumas notícias textuais e gráficas, o objetivo do artigo é atentar para que também à parte que é meramente transpositiva (como hoje em dia dispõe-se do advento da banda larga e refinadas tecnologias) também possa a vir a se transformar numa nova mensagem digital e que faça parte do trabalho dos jornalistas das rádios.
Como na internet tem-se um espaço virtualmente ilimitado o internauta poderia ter acesso a informações diferenciadas trazendo à tona a discussão: qual é a mensagem do radiojornalismo na internet?
O que se pode perceber é que as características da prática discursiva de cada meio rádio e internet são resultados da convergência entre o radiojornalismo e o jornalismo on-line, porém não só isso. Porém não é apenas a convergência em si, porque o usuário quer um diferencial e o acha no hibridismo das práticas discursivas que resultam numa nova mensagem para o receptor.
O internauta, assim, disporia de textos, imagens digitais, gráficos e etc sobre a matéria que ele escolhesse durante a programação bastando clicar em cima da locução para obter esse detalhamento. O que aconteceria no entanto seria uma mudança de discurso, uma nova mensagem seria criada resultante destas novas tecnologias. Com o surgimento das novas tecnologias da comunicação chegamos a uma sociedade da informação, que é o resultado do salto qualitativo dado pelas tecnologias de produção e pelas reproduções simbólicas e de mensagens.
Esse processo não é só tecnológico, ele envolve as especificidades de cada meio, inclusive do discurso. Assim, pode-se dizer que as novas tecnologias trazem uma mutação das práticas discursivas. E, por assim falar em mutação das práticas discursivas, apoiada por autores como Hans Haacke, Les Levine e Orlans, O’Rourke entende que as tecnologias em lugar de meio neutro e passivo, se comportam como um campo permissivo, que produz um outro efeito, discurso. 
A proposta seria uma atualização periódica, sistemática e comandada pelos “webouvintes” proporcionando assim um radiojornalismo nas redes digitais de melhor qualidade. Este aprimoramento não diria respeito à questão ideológica, claro, porém do aprofundamento dos dados, e do conteúdo jornalístico, afinal quanto a editorialização não teria como lidar enquanto forma.
Quando se discute a questão do discurso logo acima, pode-se voltar atrás e lembrar de quando McLuhan fala que “o meio é a mensagem”, ou seja, que cada meio produz uma mensagem diferenciada para seu receptor. Assim, esse novo canal via produção on-line seria mais um suporte para os internautas para ouvirem rádio e detalharem melhor uma matéria que os interessariam em um só clique durante o decorrer da matéria. Este canal, baseado na teoria de McLuhan, viria a transmitir uma nova mensagem  através de um novo código. 
Bem, muitas pessoas ouvem rádio enquanto exercem simultaneamente outras atividades, como dirigir, arrumar a casa, caminhar e etc. O rádio na internet quebra parcialmente este hábito, pois o site tem sons, imagens, textos e não é móvel, pelo menos dentro das atuais possibilidades tecnológicas. A não ser que o “webouvinte” se disponha a somente acompanhar a programação da rádio na íntegra, e não utilize dos recursos de texto e imagem.  Características como unisensorialidade (o ouvinte só utiliza um dos cinco sentidos: a audição) e unidirecionalidade (o ouvinte não interage com a notícia; é apenas receptor), presentes no rádio são alteradas.
Com esta nova proposta, o radiojornalismo na internet quebraria de vez este hábito porque  o “webouvinte”, apesar de antenar-se  na parte transpositiva do site, ele o faria para poder, com o mouse clicar na matéria que gostaria de obter  mais informações, ou seja, ele precisaria estar absolutamente atento na tela do computador.
O ponto fulcral a ser considerado é que as novas tecnologias trazem consigo uma nova codificação ou seja, esse hibridismo das mídias é, na verdade, o ponto de conexão para a existência desse novo discurso. O radiojornalismo e o jornalismo on-line, cada um com as suas características originais, devem então aperfeiçoar seus profissionais para a chegada, não apenas dos aparatos tecnológicos, mas também, das práticas discursivas resultantes deste processo.


{moscomment}

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *