Wilson Libório, um pioneiro do jornalismo automotivo

Luís Meneghim

Wilson Libório em sua casa em Florianópolis, revivendo os bons tempos em janeiro de 2011

O “velho” Wilson Libório, como era conhecido pelos colegas jornalistas, partiu para fazer um test-drive. Desta vez, por estradas desconhecidas, acelerando em outro mundo, levando consigo sua experiência de piloto em muitos ralis da vida. Com certeza vai dispensar o “road book”, porque conhecia tudo sobre navegação, dentro ou fora de estrada. De mecânica ou astronomia, Libório entendia como poucos. Mas sua grande paixão eram os automóveis.

Durante décadas os catarinenses acompanharam as novidades sobre rodas em “O Estado”, onde Libório foi pioneiro. Escreveu sobre carros, corridas, motores, velocidade, organizou competições e manteve coluna semanal e uma relação pessoal com pilotos, revendedores e executivos das mais importantes montadoras. Entre os colegas de profissão, era admirado pelo conhecimento enciclopédico, sobre automóveis ou qualquer assunto.

O velho Libório não dispensava uma boa polêmica, teimoso que era, sem papas na língua, principalmente quanto tinha razão. No meio jornalístico ficou conhecida a sua bronca, de dedo em riste, na cara do jovem piloto Ayrton Senna, que começou a subir no pódio e perder a humildade. Foi amigo de celebridades das pistas e até de comunistas, como costumava lembrar, acusado por alguns de ter servido ao regime militar.

Libório segue sua estrada deixando muitos amigos e uma promessa nunca cumprida, a de escrever um livro sobre os bastidores do mundo automotivo. Com memória privilegiada, lembrava de boas e saborosas histórias do início da indústria no Brasil. Nos últimos anos, já abalado pelo coração frágil, não viajava mais em busca das noticias, pois o marca-passo limitou sua atividade, que foi intensa por mais de meio século na imprensa. Em segredo, como convém a um bom maçon, exerceu intensa atividade maçônica até pouco tempo antes de morrer.

Foi Libório, nos anos 1980, que me incentivou a abrir espaço no jornal em que trabalhava para os automóveis. Ensinou o caminho das pedras, mas também criticou os erros do jovem repórter em começo de carreira. Assim fez comigo, assim fez com muitos. Mas pela sua personalidade, à moda militar, fez alguns desafetos. Pavio curto, era sincero nas suas observações. E quando alguém não gostava da resposta ele indagava: “Mas você não pediu a minha opinião”? Este era o velho Libório, polêmico, imperdoável com a burrice alheia, mas justo e verdadeiro à sua maneira.

O velho Libório foi embora, mas deixa um legado de amor à profissão, ao automobilismo, e à maçonaria. E merece ser lembrado para sempre como um mestre do jornalismo automotivo.

Luís Meneghim | 16 de agosto de 2013 Carros, Memória

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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