ZYK-9! Aqui Rádio Difusora Itajaí – 03

O anúncio de que a emissora estava fora do ar me tirou o fôlego. Por mais preparado que estivesse, ser contratado para trabalhar numa emissora fora do ar, ia muito além das minhas cogitações. Recebi o impacto, assimilei e fui à luta. Afinal, o desafio recém começara.

A sacudida valeu para eu fazer o primeiro Pit Stop desta nova etapa da minha carreira. Afinal estava saindo da era “artista” e entrando numa arena muito mais ampla, a de dirigir toda uma equipe de locutores, cantores, jornalistas, músicos, discotecários, operadores de áudio, técnicos de som, operadores de transmissor, corretores, narradores esportivos e o pessoal da administração.

Mas, afinal, por que a emissora foi tirada do ar?

No dia seguinte, às nove da manhã, eu estava na sala do Silveira. Conversamos sobre o projeto, os objetivos dos concessionários e o que se esperava que eu fizesse. E não era pouco. A rádio deveria ser um motivo de orgulho para a cidade em conteúdo – jornalismo, esportes, música, entretenimento e cultura – em comportamento de seus funcionários e em qualidade técnica.

Recursos? Os que forem necessários, resumiu Silveira Júnior. E completou: Começamos pela parte técnica. Compramos transmissor novo, mesa de som, pratos, microfones… e estamos dando uma geral nas instalações. Revestimento do estúdio de locução, técnica de som, gravadores, auditório e discoteca, por isso tiramos a velha Difusora do ar. Agora é a vez da nova.

E a equipe? Fica alguém dos que já trabalhavam? Silveira foi direto: todos foram colocados em férias. Estão trabalhando no transmissor o Adolfo, que é o responsável técnico e o operador que mora no transmissor. Contratamos o Dirceu, filho do Dagoberto de quem compramos a rádio. A seleção da equipe é o seu primeiro trabalho.

Embora o Silveira me inspirasse muita confiança e estivesse sempre muito atento às minhas ponderações, resolvi investir um pouco mais no reconhecimento do terreno.

– Silveira, você é jornalista, já tem livro editado, escreve para jornais da região e agora é responsável pela implantação de uma emissora com tudo novo. O que você gostaria de fazer na rádio?

– Pois olha Antunes, o meu sonho é que você seja o cara que eu estou pensando. E virou-se para o lado: dona Ida, pede um cafezinho pra nós.

Passamos a conversar sobre coisas do dia-a-dia – movimento do porto, a biblioteca da cidade, o clube Guarany e o Marcílio Dias – que eu acho que era o clube do seu coração.

Resolvi passar o fim de semana em Florianópolis, pois a Preta ficara aguardando a liberação da casa e a colocação dos móveis. Nessa época eu nem sonhava ter carro e o ônibus levava em média três horas para cobrir os barrentos e esburacados 90 quilômetros que nos separavam da Capital. Eu até não fazia muito caso, porque aproveitava o período de viagem para organizar as idéias e dar curso aos meus sonhos.

Pois foi aí, nesse momento, que pintou a formatação do projeto que eu sintetizei nesta frase: ZYK-9. Aqui Rádio Difusora de Itajaí. Assim mesmo. Sem adjetivos.

Quando o ônibus embocou na velha Ponte Hercílio Luz o quadro estava delineado: vou reunir ao melhor do que a rádio já tem em Itajaí com os melhores profissionais que eu puder levar aqui de Florianópolis.

Desliguei meu captador de insights profissionais. Girei o dial marcador de freqüência e sintonizei na Ilha mais charmosa que eu já vira. Até semana que vem.


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